quarta-feira, 5 de agosto de 2015

#7 - Alta Burguesia - Socorro! Acabou-me com a dieta!


Recém-chegada à cidade de Leiria, a Alta Burguesia é uma hamburgaria com conceito gourmet, bem ali junto à Praça Rodrigues Lobo, ou seja no centro da cidade. Diz-nos o anfitrião que embora seja um franchising, pretendem situar-se em espaços de rua, pertinho das zonas históricas! E, aqui a Tascolândia, atribui-lhe mais 10 pontos só por essa escolha.


Sabíamos para o que íamos. Ou melhor, não sabíamos. Qual hambúrguer no pão!... Qual tabuleiro!... Qual menu!... A ementa (clara e curta! E como eu gosto delas assim…) apresenta-nos inicialmente vários molhos, depois hambúrgueres de bovino com cebola caramelizada e queijo da ilha, de requeijão fresco, de ananás grelhado e camarão, e ainda hambúrgueres de frango, de alheira, entre outros. Com tanta tagarelice sobre a escolha indicada, prontamente nos informa que  todos os hambúrgueres são servidos no prato e  acompanhados com um molho específico à parte, salada e batatas fritas ou batata-doce assada, ou então arroz basmati. Preocupação com cliente é o que não falta neste espaço!


Diz-nos também o anfitrião que "aqui é tudo diferente"  e a prová-lo a coca-cola servida num copo com cubos de gelo vermelhos! Olhos esbugalhados para a pequena M.! Que atractivo! Seguem-se as entradas de pão torrado com orégãos (se não me engano!) e um paté óptimo! Oferta da casa e cá para nós, quem diz é quem manda.

Acabamos por escolher hambúrguer simples de bovino (menu infantil) e, vão por mim, se gostam de sabores intensos e de queijo, não deixem de experimentar este outro (duplo, ora essa!) com queijo chèvre, bacon e outras coisas boas que a foto ilustra melhor que qualquer palavra! 


Por fim, rendam-se às sobremesas e ao mistério da Alta Burgesia! Fotos, só do petit gateaux com bola de gelado que quando pensei nisso, o prato já estava vazio! Impossível resistir à tentação!!


A comida: irra que há tempos que não comia um hambúrguer tão saboroso!Pode até não convencer no aspecto, mas é pra lá de bom!!
O atendimento: não pode ser mais amável e simpático! Apenas uma pessoa (que eu tivesse avistado) e que dá conta do serviço. Nada de confusões! É para mastigar nas calmas! E, sem pressas!
O ambiente: Acolhedor, simples e traça moderna! 
Gostei mesmo: do chèvre e do molho. Oh malditas calorias!
Não gostei: falta um sonzinho ambiente a combinar com a degustação!

E agora...boa merenda e aproveite as férias!

domingo, 8 de março de 2015

#6 - Sitiado - ótimos petiscos e uns bons vinhos, haja sol ou faça frio!

Apetece-lhe um petisco bem caseirinho e um bom copo de vinho? Num cenário recheado de objetos vintage ou numa pequena esplanada? Quer sentir o cheiro do mar e duma vila piscatória? Vá até ao Sítio da Nazaré, estacione junto ao miradouro e dirija-se ao Sitiado, uma pequena tasca bem castiça a juntar à simpatia ímpar do Wilson e aos petiscos estupidamente simples e deliciosos.

Saiba que nesta tasca a carta fala por si. Acho (tenho quase a certeza!) que só servem petiscos. O melhor mesmo é escolher dois ou três e ir pedindo à medida que vai acabando. Desde a alheira com maçã, aos carapauzinhos de escabeche, ao polvo e cogumelos panados, à tábua de presunto e queijo, tudo é simples e saboroso. Enfim, acho que podia digitar centenas de caracteres a enumerar os petiscos do Sitiado e a contar-vos como são deliciosos. Uma desgraceira ao nível das calorias e do colesterol. Vão até lá e comprovem. E mais: duma só vez é impossível experimentar tudo, atá porque a carta vai variando...sem dececionar! O mesmo para a carta de vinhos, cada vez mais apurada!


A comida: não há muitas fotos porque à pala de tanta iguaria, esquece-se a máquina. Sugestão da Tascolandia: visitem, mas atenção que é raro não estar à pinha!
O atendimento: o serviço tem tanto de acolhedor, como de informal. O espaço para meia dúzia de mesas parece a sala e estar cheia de amigos! Duas ou três pessoas dão perfeitamente conta do recado.
O ambiente: toalhas a lembrar as flanelas dos pescadores, louça de barro e decoração alusiva aos anos 80 ou 70, vá! Com bom gosto. Descontraia, descomprometa-se e converse!
Gostei mesmo: panadinhos de polvo acompanhados de Memória! Ui!
Não gostei: depois de umas duas ou três idas...nada a apontar. Como tasca e nas redondezas, confirma-se: é mesmo a melhor!

E agora...vamos apanhar vitamina D e lembrar que, todos os dias, há mulheres que sofrem em silêncio e que é imperativo agir, mudar!

domingo, 25 de janeiro de 2015

#5 - Coisas do Chá - um cha(rme) de sala

Em época de dias frios, cinzentos e chuvosos tudo puxa para lanches quentes, calmos e que confortem o estômago. Querem-se chás bem aromáticos. E eu sou fanática por eles (e por biscoitos também, mas isso é outra história!!). Gosto de chá ao pequeno-almoço, ao almoço, ao lanche e repimpo-me no sofá, à noite, com um enorme copo de chá, se for preciso. Bebo-o em qualquer lado. E, a modos que muito british, adoro lojas de chás.

E assim sendo, estão a ver o Tribunal de Leiria? Esqueçam lá as (in)justiças. Na rua de trás, em direção aos CTT, logo depois do pequeno túnel, está uma das minhas outras salas de estar preferidas: a “Coisas do Chá”.

Entra uma pessoa convencida que vai beber um chá quentinho (não engorda, certo?) e uma torrada (meia, quero eu dizer!) em pão alentejano, quando olha para a pequena e sorridente montra de bolos caseiros e muda logo de ideias: traga-me um chá daqueles com cheiro a menta que invade o espaço, um scone acabadinho de sair do forno com direito a manteiga (esqueçam a dieta!) e já agora umas compotas (só para experimentar!) e uma fatiazinha do fondant de chocolate. Desgraço-me, portanto!!! Para a mafarrica, um sumo de laranja natural e dois biscoitos de canela enchem-lhe as medidas.

Com incontáveis variedades de chá, a “Coisas do Chá” é uma pequena sala em tons quentes, acolhedora, ambiente tranquilo e simpático, onde para além de ser possível degustar uma diversidade de chás, infusões ou tisanas, podemos encontrar deliciosos bolos caseiros, escutar música chill out, ler os vespertinos, e ainda, ao mesmo nível de bom, comprar chocolates, bolachas, compotas com decoração alusivas à época festiva (o Natal, o Natal!!) e claro, levar para casa um stock de chás.




São infusões de frutos (laranja e gengibre, morango e framboesa, etc), são misturas de ervas com nomes de anti-stress, harmonia, equilíbrio e até tesouro dos Incas, são rooibos estrela de África, bagas silvestres, baunilha, entre outros, e chás que vão dos brancos, aos verdes, aos vermelhos e aos pretos. Não sou nada esquisita, mas os preferidos incidem nas misturas que envolvem erva-príncipe e hortelã-pimenta.

Mas como nem só de chás vive o Homem, para além dos lanches, esta loja-que-não-é-só-loja serve pequenos-almoços e almoços light, o que é, seguramente, uma ótima opção para quem trabalha ou vive nas redondezas. Nada muito sofisticado, mas que se encaixa perfeitamente no conceito de almoço rápido, saudável e sossegado. Desde que não se estraguem com as sobremesas ou com o nata, o bombom ou o biscoito que sempre acompanha o café, tudo acaba bem. Mas há um bolo de bolacha que mal o vejo, dou-me por vencida. 

Não se pode dizer que tenha esplanada mas três ou quatro simpáticas mesas que ocupam o passeio com vista para o castelo de Leiria. E se Deus nos dá estas vistas, aproveitemo-las. Respiremos. E se a chuva e o frio não vos permitirem usufruir da esplanada, então entrem, acomodem-se numa das dez mesas (se tanto!) disponíveis e deliciem-se com umas coisas...e um chá a acompanhar!

A comida: contenham-se nos bolos ou… esqueçam a balança.
O atendimento: uma única pessoa a servir…mas a espera compensa. De qualquer modo, prestável e muito atencioso.
O ambiente: cadeira de palha, ao estilo colonial, bem confortável, sim senhor! E requinte.
A localização: um bocadinho escondidote, numa rua sinuosa de Leiria…mas encontra-se!
Gostei mesmo: dos chás.
Não gostei: de me chegar à caixa para pagar. Não pela conta, mas pelas tentações que se encontram ainda mais concentradas e à vista, junto ao balcão. Pareço o lobo mau, com os olhos tão esbugalhados. Ai o biscoito de canela, ai o pastel de chocolate e cenoura, ai o pacote das bolachas de amêndoa, ai a compota, ai a dieta!...

E agora... um restinho de domingo soalheiro, com tempo frio e chá quente!

domingo, 23 de novembro de 2014

# Os bombásticos bolos do Bruno

Nem sei o que escrever. Ou se escreva. Acho mesmo que as fotografias, hoje, falam por si. Dispensam palavras. Oram vejam!



 (imagem do fcb Bruno Mourinha)
 (imagem do fcb Bruno Mourinha)
(imagem do fcb Bruno Mourinha)

O que é que vos parece? Já estão a salivar? Pois é, há uns dois meses para cá, a livraria Arquivo, em Leiria, lançou os dias dos bolos de autor, na sua cafetaria. E que casamento feliz! Às quintas-feiras há o bolo da Lídia (ainda não provei e, como tal não me pronuncio) e aos sábados, o maravilhoso, divinal e fantástico bolo do Bruno.
Já tive oportunidade de provar dois dos três bolos que embelazaram a pequena vitrina da cafetaria. E só vos digo: não havia necessidade de serem tão bons! Comem os olhos e come o estômago. O meu preferido é mesmo o bolo de crepes com natas, ganache de chocolate e bagas de romã, seguindo-se a bolo de chocolate com natas doces e merengue de bauninlha e a, não menos resistível, pavlova de frutos vermelhos.
Diz o autor (dos bolos) que não querendo arriscar muito, decidiu fazer o que já é um hábito, em sua casa. Oh raios, tragam o homem para a  minha cozinha, em dias de festa!
Aproveitem qualquer intervalo do sábado e passem pela cafetaria da Arquivo. Depois, entre jornais e livros, peçam um café e uma fatia de bolo do Bruno! Et voilá!
E agora...um abraço enorme ao autor dos bolos e que assim continue (a quebrar muitas dietas!).

domingo, 28 de setembro de 2014

# Cada vez mais sushiaholic

Se podia odiar sushi? Poder, até podia…mas não era a mesma coisa. Sem sombra de dúvida.

Conheço o conceito do Sushi Dragon há cerca de uns dois anos e, desde aí, os convites para saborear o sushi do César Ramusga (o sushiman!), são irrecusáveis. Para quem não achava piada nenhuma ao sushi, agora quase fico a salivar cada vez que olho para a agenda e leio “sushi @amiga/o”. Ai, ansiedade.

Estamos a falar, pois claro, de sushi ao domicílio. Agenda-se uma data, marca-se a hora, indica-se o número de pessoas, fornece-se a morada e escolhe-se uma das opções para a sushizada. Porreiro, não é? Mas melhor que tudo isto, é que quem recebe só tem duas tarefas básicas: pôr a mesa e deixar a cozinha por conta do chef, cerca de três horas antes da chegada dos convidados. Obviamente, a confecção, os paus, as taças e o respectivo molho de soja e todo o serviço são por conta dele! Parece-vos bem? A mim, sabe-me que nem ginjas! 
 

O sushi é do bom, o arroz está no ponto, as frutas são frescas e a qualidade do peixe é indiscutível (macio e saboroso). Depois o corte e a apresentação dizem tudo. Eu começo a babar-me só com o cheiro. Uma maravilha, é o que vos digo.

Não vos falo das peças porque nem tão pouco entendo alguns nomes que me parecem impronunciáveis. Conheço os temakis e nigiris e pouco mais. Tal como já vos disse, este blogue não é um espaço de crítica gastronómica portanto, gosto muito do sabor e ponto final.




(imagem de Sushi Dragon)
                                                        (imagem de Sushi Dragon)

E que conste que já sentei o rabo em restaurantes de sushi quer aqui pelo litoral, quer mais ali na capital (não, nunca fui àqueles em que os pratos andam ali a passar à nossa frente e que mais parece uma pista de carrinhos. Só porque não calhou.). E levei o apetite de sempre e a vontade de experimentar tudo de novo. Mas só vos digo: é verdade que a decoração é, nalguns casos, linda, que a variedade de peixes é maior, que me tratam super bem. Mas a qualidade do serviço ao domicílio, o aroma do sushi e a confiança no sushiman colocam o Sushi Dragon na minha lista de eleição!
 
A comida: delicada e de excelência. 
O atendimento: ...irrepreensível!
O ambiente: há lá melhor sitio que a nossa casa ou a de amigos?! Nota máxima.
Gostei mesmo: tempuras e o atum. Até bato palmas!
Não gostei: do saqué. Prefiro um bom vinho ou uma cerveja bem fresca.
 
E agora...uma boa noite domingueira e um voluto bem forte, sem Clooney.

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

# Com Alma... - o Fado vivido na Ribeira do Sol

Esqueçam o "Festival Caixa Alfama'14" que decorreu sexta e sábado, em Lisboa. Esta minha experiência foi singular e... ainda mais arrojada. Digo isto, porque dois irmãos lançarem-se num desafio de organizar uma noite de fados, dedicada ao pai, num local mágico, para cerca de 60 convidados, é obra! E mais: para novatos na área, conseguir pormenores encantadores, é obra de arte!

Quase me esqueci da casa de madeira original, ao entrar. Um ambiente familiar, dos 8 aos 80 (prova de que o Fado não escolhe idades!), descontraído e íntimo, com cheiro a taberna bairrista e a fazer jus ao nome do evento: Com alma.

(imagem de Márcia Gaspar)
                                                                                                                                    (imagem de Márcia Gaspar)

Gostei das entradas tradicionais. Da comida muito portuguesa a criar uma boa combinação com o espaço e o conceito. Dos pequenos intervalos que quebraram o silêncio com uma alegria contagiante. Do serviço de mesa a cargo de um pequeno grupo de amigos. Gostei do caldo verde. E do chouriço assado. Gostei dos lenços. Das lanternas, da luz de velas e das guitarras. Gostei da linha gráfica, sobretudo no vinho tinto e nas t-shirts. Gostei do café d'avó acompanhado de coscorões. Melhor que tudo isto, só mesmo o convívio. Inigualável.


                                                                          (imagem de Márcia Gaspar)
               (imagem de Márcia Gaspar) 

Não sou conhecedora de Fado, que o digam os amigos com quem partilhei esta noite. Muito menos, tenho jeito para cantar.Já sei, já sei. Aliás, a minha vocação já a descobri há algum tempo: sentar-me a uma mesa, rodeada de bons amigos e petiscos! Depois, rabiscar. Mas, adiante. Gostei , maioritariamente, do que ouvi. Fado com sentimento, garra, alegria e que não chora lágrimas nem melancolia. O resto são tretas! Ó i ó ai! Nuno Sérgio e Ricardo Silva na guitarra portuguesa, fervilharam de vida. Ah fadistas!

                                                                                                                                      (imagem de Márcia Gaspar)

E por uma noite, com chuva e com alma lavada, o Fado morou na Ribeira do Sol.

A comida: esteve à altura, sim senhor!
O atendimento: simpático e célere. Quando quiserem organizar algo semelhante, não hesitem. 
O ambiente: muito acolhedor, descontraído, onde o Fado foi protagonista! Atmosfera única.
A localização: nada que um simples mapa ou gps não resolvam! A compensar, estacionamento à grande.
Gostei mesmo: da transformação do espaço numa verdadeira casa de fados.
Não gostei: de não ter trazido a bela da garrafa de vinho tinto, para mais tarde...beber, claro!
 
E agora... pensem que "há dias que marcam a alma e a vida da gente".

quinta-feira, 18 de setembro de 2014

#4 - Maria Xica - esta não é uma maria-vai-com-as-outras

Mesa para duas, neste espaço com nome de mulher que trabalha a terra, em dias de fria e penetrante geada, daquela que corta os ossos e arrefece a alma. Não sei o que reza a história deste nome, mas tenho cá para mim que Maria Xica era  uma mulher forte, destemida e trabalhadora.

Encontrámos o restaurante, por mero acaso, num passeio pelo bonito e preservado centro histórico de Viseu. Há dias de sorte! Fica num edifício recuperado, tem ar descontraído, muito vintage, uma vista privilegiada e é uma verdadeira área de (en)cantos. No rés-do-chão, o restaurante, por sinal, muito elegante. No primeiro andar, um terraço com esplanada e ainda um bar e pequenas divisões a aclamar por conversas e diversão. Adivinhem por onde ficámos: no exterior. Elementar, meus caros! Mas, desde logo, à entrada, peguei no jornal e também num folheto de programação cultural que parece ser a prata da casa!
 



Perante a sugestão da carta e em época de caracóis e companhia, tudo puxa para o petisco: está-nos nas veias, ainda para mais numa tarde quente como as do interior do nosso Portugal. Optámos então pela versão do petisco, mas daquele de faca e garfo: o folhado de alheira, o pica-pau de novilho e o tão afamado cone de batata frita. Para beber, vinho a copo: um Dão tinto!




Ora, uma musiquinha chill out, uma mesa cuidada, um vinho razoável, a leitura do vespertino, o ruído quase nulo das mesas adjacentes, a alegria contagiante da minha filha. Eis o que (realmente) importa viver. 
 
A comida: do que experimentámos, recomenda-se!
O atendimento: prestável e simpático, o que é de esperar dada a juventude de quem nos serve.
O ambiente: vintage e informal.
A localização: sem trânsito, implica uma bela e merecida passeata pelo centro histórico. Há melhor?!
Gostei mesmo: dos folhados de alheira.
Não gostei: de ser atendida por dois empregados e um deles se ter esquecido de um pedido. Sem comentários.

E agora...saúdinha a todos e boa noite!

terça-feira, 16 de setembro de 2014

#3 - Ti Maria dos Queijos - uma tasca à portuguesa

Nesta tasca, come-se bem, come-se muito e paga-se pouco. Digo eu. Tem ótimos petiscos. A ementa inclui entradas de queijos frescos e secos (ah tamanha perdição!), azeitonas e pão e broa. De resto é escolher grelhados na brasa à unidade, entre morcela, alheira, chouriça, linguiça, lentrisca, costoleta, entrecosto e há também bacalhau na brasa com batatinha a murro. A salada e a batata frita são de "chorar por mais" e dão para alimentar a família inteira. Acompanha tudo com vinho a jarro.


A Tasquinha da D. Maria ou da Ti Maria dos Queijos, como é sobejamente conhecida, é uma casa simples e despretensiosa, com pequenas divisões e numa delas um antigo lagar de azeite que foi transformado em pouso redondo com a prensa ao centro. Quem vai à procura de grande conforto que não se iluda. Estamos numa tasca. Só há bancos. E mesas, essencialmente quadradas. Mas nada mais fácil do que arrastá-las...e juntá-las mediante o espaço disponível. As paredes são ornamentadas com objectos agrícolas.
A D. Maria anda quase sempre por lá e a sua simpatia cativa-nos logo à entrada. Assim que passamos a porta - sempre aberta - o café e o espaço reservado ao grelhador conferem um sabor saudosista da infância. Há também um recanto engraçado, numa das salas, que oferece alguma privacidade.
Fica na Serra d’Aire e Candeeiros, e chegar lá não é propriamente tarefa fácil, mas nem por isso perde pontos. Pelo contrário. A paisagem, a partir do banco corrido no exterior, é grandiosa!
Mesmo a meio da semana, está (quase sempre) cheia. Se dispensarmos as sobremesas (arroz doce e pudim), uma nota de dez euros basta. Bem empregues, com certeza. Aprovado!

A comida: dentro do leque, saborosa.
O atendimento: destreza e simplicidade.
O ambiente: assim a dar mesmo ar da verdadeira tasca de aldeia!
A localização: chegando ao Livramento (Porto de Mós), respira-se a tranquilidade da Serra.
Gostei mesmo: da batatinha frita cortada bem fininha! Ui ui. 

E agora...vou ali espreitar se o Clooney sempre sobe ao altar, em setembro. Vai que ainda me convida para ir à cerimónia! E eu, irritadíssima por voltar ao Lago Como...

sábado, 6 de setembro de 2014

#2 - Espaço Eça - na senda da simplicidade

Mas que ideia genial “Eça”, de criar um “Espaço” assim, em Leiria. Um conceito novo e recente, no centro histórico da cidade: aliar um simples café, aos petiscos, aos vinhos e à literatura. Diria mais: aos gostos simples e sabororos.  
Estava curiosa para visitar o “Espaço Eça”, projeto da Susana e do Luis. E…expetativas totalmente superadas. Tanto que depois de uma refeição leve ao almoço, regressei para lanchar e trautear com uma amiga. Voltamos sempre onde já fomos felizes, não concordam?
Apaixonei-me logo no exterior: a pasteleira recuperada, a sardinha pendente, a ardósia e o banco de encosto. Os pormenores são, sem dúvida, o que tornam este Espaço, tão especial.
 

Fiquei rendida: à decoração simples, sóbria e confortável, à luminosidade, à musiquinha de fundo (viva a bossa nova e o jazz), às joias literárias e à simpatia com que nos receberam. Todo este cenário, sob o olhar atento do Eça!
 


Ao almoço aviei-me com uma salada de bacalhau acompanhada de alface e tomate. E não deixei de provar a tosta de alheira e queijo da ilha que me encheu as medidas. Para sobremesa, um requeijão com canela e doce de abóbora. Tão simples e delicioso quanto pecaminoso. À tarde um copo de sumo de laranja natural e uma boleima. Ainda fui amavelmente presenteada com pedaços de chocolate negro. Oh tentação! Claro está que, à noite, para me redimir, tive mesmo que gastar as solas!
Já me soou que há outras especialidades por lá: o folhado de morcela, o de alheira, o xisto de presunto e queijo curado. Para acompanhar com vinho a copo, cerveja artesanal ou uma sangria do Eça.
Parece-vos bem? A mim, parece-me tentador.

A comida: refeição rápida, leve e saborosa. Ainda por cima, a preço bastante acessível.
O atendimento: simpático.
O ambiente: cosy", calmo e relaxado. Convida a ficar. Mas o inverno vai pedir um braseiro!
A localização: zona excelente para passeios pedonais. E visitas do Padre Amaro.
Gostei mesmo: do Espaço. Não é para jantar, muito menos de top. Mas é bonito, com conjugação perfeita de peças vintage, acolhedor e de cara bem lavada.
Não gostei: algumas das especialidades não constam na carta. Ainda.Mas cada coisa a seu tempo.

E agora...vou ali lavar a loiça. Boa noite!

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

#1 - Adega Típica da Pena - um quadro valioso

É do cimo da Serra de São Macário, que avisto meia dúzia de casas de xisto aninhadas no fundo do vale, num cenário deslumbrante e inspirador. Sinto-me dona do mundo, com tamanha beleza!
Chegar à Adega Típica da Pena, mesmo à entrada da Aldeia da Pena (concelho de São Pedro do Sul), não é tarefa fácil, sobretudo se nos depararmos com um carro em sentido contrário. Mas, adiante. Nada de esmorecer porque a visita à Pena, é merecida! E se o cenário é único e singular, esta adega está ao mesmo nível nas suas iguarias gastronómicas.

Uma pequena casa de xisto, num espaço simpático e acolhedor. Na decoração, pouco há a acrescentar. Objetos com alma e cheiros de histórias. É fácil identificarmo-nos com as garrafas de refrigerantes que nos remetem para a infância. As paredes são cobertas de cartões de visita, pedaços de papel manuscritos com mensagens dos visitantes. Pendem sobre o balcão uma série de campainhas (outrora usadas pelo gado, digo eu que nada percebo disso). E há ainda umas peças de artesanato típico da aldeia e uns licores que podemos admirar e… adquirir. Umas velhas notas e uns cachecóis de clubes regionais adornam o teto. As memórias assumem-se como protagonistas incontestáveis. Bom, essas… e os petiscos.
O exterior – com uma pequena varanda e vista serra – é coberto por videiras e um telheiro com forno a lenha para o cabrito assado e grelhados na brasa, que se dizem especialidades da casa.
Pormenor curioso: a casa de banho encontrar-se no piso inferior, mas do lado exterior da casa! Gostei mesmo do porta-chaves. Assim, é difícil perdê-lo.


Com a hora de almoço a chegar, abeirei-me do balcão e quase adivinhando a resposta questionei se tinha multibanco. "Costumamos ter, mas… está avariado". Devo ter ficado com aquela cara de toma-lá-que-já-comeste-e-aprendeste que fui convidada a almoçar e a pagar posteriormente…por transferência bancária. Ora, digam lá: até os olhos se me arregalaram. Primeiro declinei, mas perante o apetite e o cheiro das carnes no braseiro, não me fiz rogada! Um grande bem-haja à confiança.
Mesa no exterior para duas pessoas, bancos em xisto fixos e...qual carta! Quem quiser saber o que ali se come tem de olhar para a placa de ardósia em cima das mesas. Decidimo-nos apenas pelos petiscos: azeitonas, chouriça assada, um prato bem recheado de presunto curado, um queijinho de cabra fatiado, um cesto de pão e broa a casar com um copo de tinto da casa. Não nos acanhámos. Lá por ser verão, o corpo não trabalha só a saladinhas. Até porque a subida até ao carro era íngreme e ainda íamos calcorrear uns trilhos. Posto isto, toca de aconchegar o estômago! E não ficámos nada mal.
 

O espaço – o único restaurante da aldeia - rapidamente acolheu gentes de Mirandela, Arouca, Viseu, enfim, passantes. Está claro que ouvimos a galhofa toda da vizinhança. É daqueles sítios que convém ir acompanhado com alguém que fale e solte umas risadas, senão sujeita-se a levar com a conversa dos outros. De qualquer modo, é simples e de bom trato. Segundo percebi, convém ir cedinho – pelo menos, durante os dias de calor. Enche depressa.

A comida: petiscos tradicionais e saborosos.
O atendimento: simpático, célere e com gente da casa.
O ambiente: típico de aldeia de xisto. Muito aprazível no verão. Já no inverno deve ser frio para caraças.
A localização: um bocadinho, só um bocadinho fora de mão (cerca de 20km de São Pedro do Sul).
Gostei mesmo: de comer e pagar depois – fiar, portanto.
Não gostei: da casa de banho.
E se for o caso, onde ficar: Solar Quinta de São Carlos (Viseu) - excelente hospitalidade, conforto e sossego!

E agora, vou ali fazer um strudel de alheira e espinafres, só para contrariar.

terça-feira, 2 de setembro de 2014

Abertura oficial da tasca

Percorro umas milhas. De vez em quando, vá. Faço uns kms mais frequentemente e corro uns metros quando me dá na real gana. Pelo menos, tento. Não é só por desporto ou por moda (sim, que sobretudo passear-se à beira-rio ou alinhar em grupos de corridas noturnas é sinónimo de preocupação com o físico e cai sempre bem numa conversinha banal) ou porque faz realmente bem (essa conversa que já todos conhecemos de cor e salteado), embora também saiba que isto acima dos 40 não perdoa! Oh vida maldita!

Mas o pecado é mesmo a gula. E ainda em jeito de confissão vos digo:gosto muito de comer! De petiscar. De trincar. De saborear. De experimentar. De viajar à volta de uma mesa. E, por fim, de beber, um bom vinho! Portanto, não tenho outro remédio senão desenfrear as pernas com tamanhos descalabros alimentares que vou cometendo. E com umas mini corridinhas no Polis isto lá se vai aguentando! Sim, que o meu desporto favorito é mesmo uma esplanada e o pôr-do-sol!

E depois também gosto, tanto ou mais, de me evadir. Quem é que não gosta?! Sou um bocado viciada no “vá para fora cá dentro”. Há quem me chame de “bazar ambulante”, ou seja, ando de poiso em poiso e mesmo sem querer tenho sempre estórias para contar aqui, ali e acolá.

Este é o fio condutor da Tascolandia: um blogue de tascas (as antigas e as modernas), petisqueiras, restaurantes, esplanadas, tabernas, adegas, terraços e afins (comidinha, quero eu dizer!) por onde vou passando, conhecendo, experimentando e registando as minhas impressões. As boas...as menos boas e as más. No nosso Portugal. 

Engane-se quem vem aqui à procura de restaurantes com distinções e estrelas (com todo o respeito pelos chefs!), mas para além de não ter carteira recheada para tal (embora também lá vá de quando em vez) essa não é a minha praia. Todos temos uma. Até gosto da praia do Ancão, mas prefiro a da Marinha (vale pela ginástica de subir aquela escadaria à torreira do sol). Está-me na massa do sangue. E gostos não se discutem.

Por outro lado, este também não é um espaço de crítica gastronómica nem nada que se pareça. Nem se aspira a tal. Entendidos? Por isso, se alguma coisa correr mal quando for a um sítio afamado, não escondo. "Boto" a boca na botija. Aqui sai tudo para a mesa: os "recomendáveis" e os "a evitar". Mas também sei reconhecer imprevistos, exceções e dias maus. Todos temos.

Nunca faço frete quando vou comer fora (a bem dizer, de vez em quando calham-me uns bem penosos). Mas se aqui leem sobre algum tasco é porque sou, certamente, a primeira a recomendá-lo ou a criticá-lo, aos meus amigos.

E porque alguns dos melhores petiscos ou pitéus, são na maioria, acompanhados com dormida, passeios e leituras, é bem possível que por aqui encontrem uns devaneios sobre esses prazeres. E agora...

é hora de tocar os copos de vinho e inaugurar a Tascolandia!  Tchim, tchim.

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